terça-feira, 24 de junho de 2008

Inflação e comodismo

(Do estadao.com.br, 22 de junho de 2008)

Terminou quase em festa a reunião ministerial convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na quinta-feira, para discussão das pressões inflacionárias e das possíveis ações contra a alta de preços. Mas o presidente decidiu não tomar nenhuma nova medida, porque o governo, segundo se concluiu, já fez a sua parte. Além disso, o Brasil, de acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, é quase uma ilha de estabilidade no meio de um vasto oceano agitado pela inflação.

Há pouco mais de 30 anos, o governo de então classificou o País como ilha de prosperidade durante a crise do petróleo. Poucos anos depois foi preciso, com profunda tristeza, rever a avaliação. Desta vez, pelo menos um órgão público, o Banco Central (BC), permanece mobilizado para enfrentar o perigo. Se a inflação for contida até o começo do próximo ano, será graças, portanto, à abominada política de juros altos. Será mais difícil e talvez mais custoso economicamente, mas esse é o caminho traçado, por enquanto.

O Brasil, como disse o ministro Mantega, é um dos poucos países com a inflação dentro da meta, isto é, dentro do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O mercado financeiro continua projetando uma inflação abaixo do limite, para o fim do ano e para 2008. As projeções, no entanto, pioraram nas últimas duas semanas e os índices de preços mostram um quadro cada vez mais desfavorável. Primeiro ponto importante: a situação só não é pior porque o BC percebeu mais cedo os sinais de perigo e começou a agir. Sua disposição, como ficou claro na última Ata do Copom, é continuar elevando os juros para conter a demanda.

Segundo ponto: ao contrário da tese exposta pelo ministro da Fazenda, o Executivo não tomou nenhuma iniciativa relevante para deter a onda inflacionária. O ministro mencionou a decisão de elevar de 3,8% para 4,3% do PIB a meta de superávit primário deste ano. Mas a decisão apenas consagrou uma situação de fato. O resultado obtido até abril já estava muito próximo desse “novo” objetivo, não por causa de uma política austera, mas, basicamente, como conseqüência da elevação da receita.

O superávit primário obtido até agora não foi suficiente para conter a expansão da demanda. O governo continua gastando muito e ainda não há sinais importantes de arrefecimento do consumo. O aumento do IOF cobrado nos empréstimos a pessoas físicas não afetou a tendência. Serviu para engordar a receita do Tesouro. Para isso o governo elevou o imposto no começo do ano, e não para conter a demanda. O objetivo era compensar, em parte, a extinção da CPMF, mas o ministro parece haver esquecido esse detalhe.

Em sua alegre exposição, o ministro da Fazenda insistiu na tese de uma inflação quase limitada aos preços de alimentos. Os fatos continuam desmentindo, e cada vez mais claramente, esse ponto de vista. Os maiores aumentos, é verdade, têm ocorrido nos preços da comida, mas a onda inflacionária já se espalha pela maior parte dos componentes dos índices de preços. Já não se trata de inflação localizada, até porque o encarecimento das matérias-primas - alimentos, derivados de petróleo e metais - tende a contaminar todos os setores da economia. A primeira providência, portanto, deve ser a contenção da demanda para limitação de repasses.

O estímulo à produção agrícola, prometido pelo governo, será uma providência bem-vinda. Mas uma boa política de financiamento e de preços mínimos seria necessária mesmo sem as pressões inflacionárias de hoje. A boa oferta de alimentos é condição permanente de estabilidade de preços. Além disso, é fator indispensável à segurança das contas externas. Sem uma boa safra na temporada 2008-2009, a situação brasileira se agravará. Mas uma boa safra no Brasil, desejada por todos, será insuficiente para inverter a tendência dos preços internacionais, se confirmadas as perdas estimadas nos EUA. O governo poderia sem grande sacrifício elevar para 4,8% do PIB a meta de superávit primário. Isso tornaria mais segura e mais fácil a política antiinflacionária. Falta o presidente admitir essa obviedade.

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Apesar da onda de pessimismo, o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) mostra recuo de preços em seis das sete capitais. Os números se referem à passagem do indicador de até 15 de junho para o índice de até 22 de junho. Na capital paulista, os preços subiram 0,97%, ante alta de 1,23% apurada no índice anterior - a desaceleração mais intensa entre as capitais. A informações foram divulgadas nesta terça-feira, 24, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Destaques do Correio Braziliense

Distrito Federal
Gambiarras deixam casas sem luz no DF
Escola recém-reformada é alvo de vandalismo
Menino cai do balanço e morre em creche
Preso mais um da quadrilha dos anabolizantes
Jogador vaia para cadeia por bater na mulher
Arruda troca secretário de Saúde cria mais cargos
Estacionamentos da capital vão ter parquímetro
Acordo para garantir planejamento de Brasília
Pato raro vive na Chapada dos Veadeiros

Mundo
ONU discute independência de Porto Rico e Malvinas
Príncipe do Japão visita Brasília e Lula
Pioneiras na campanha pela união gay se casam
Brasileiro eleito melhor do teatro norte-americano



Índios não querem sair do Noroeste

Os 27 índios que moram na área destinada ao Setor Noroeste rejeitaram a proposta do Governo do Distrito Federal (GDF) para deixar o terreno. Eles não aceitam ser transferidos para uma fazenda no Recanto das Emas, como propôs a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap).

Os índios se manifestaram em reunião no Ministério Público Federal, na tarde dessa segunda-feira (16/6). Eles disseram aos procuradores que brigarão na Justiça para permanecer no local. A Terracap tentará liminar que garanta a desocupação. A estatal garante que o terreno previsto para abrigar um bairro residencial está em área pública e que os índios são invasores.

O embate atrasará o lançamento do Noroeste. Até a Justiça se posicionar, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não poderá emitir a licença ambiental do setor e o governo fica proibido de lançar editais de licitação para vender terrenos.

Defensoria pública
A Defensoria Pública da União entrará com uma ação na Justiça Federal para assegurar a posse das terras. O coordenador de Identificação e Delimitação de Terras Indígenas da Fundação Nacional do Índio, Paulo Santilli, disse que a instituição poderá fazer estudos para transformar o local em uma reserva indígena. Nesse caso, a Terracap não poderia licitar a área.

Se a Justiça aceitar a ação declaratória da Defensoria, será designado um perito judicial para fazer estudos para apontar se a área é ou não terra indígena.



Mudança em Seleção para jogo com Argentina

O técnico Dunga vai mexer na Seleção Brasileira que enfrenta a Argentina, nessa quarta-feira (18/6), pela sexta rodada das Eliminatórias da Copa de 2010. A partida ocorrerá no estádio Minerão, em Belo Horizonte (MG).

Anderson e Júlio Baptista devem começar jogando. Dunga não definiu quem sai para eles entrarem. O treinador admitiu que a equipe foi muito mal na partida em que perdeu por 2 a 0 para o Paraguai, domingo (15/6), também pelas eliminatórias.

Dunga reconhece que pode perder o cargo em caso de nova derrota. Mas não admite mudanças bruscas no time brasileiro. "Não vou tirar oito jogadores e pôr outros oito. Vou ajustar o time e, com certeza, teremos outra postura diante da Argentina", afirmou.

Atitude
O treinador disse que somente com atitude os atletas poderão recuperar o bom futebol. "São jogadores experientes, vencedores em seus clubes, acostumados a pressão. Estamos conversando, vamos treinar e mudar o que for preciso."

Sobre Anderson, um dos poucos destaques positivos contra o Paraguai, Dunga afirmou que o volante tem aproveitado as chances. "Aqui não há cadeira cativa. O jogador que entra tem de aproveitar a oportunidade. Anderson mostrou confiança, atuou bem e faz parte do grupo."

Kaká
Perguntado até que ponto Kaká e Ronaldinho Gaúcho fazem falta, Dunga foi taxativo: "Prefiro falar de quem está aqui e pode ajudar a Seleção a conquistar vitórias".

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Mãe Dinah da internet

Passados dez anos da redação do artigo abaixo, nem todas as previsões se concretizaram. O acesso à banda larga não é universal (muito menos gratuito). Os monitores utilizados, em sua grande maioria, ainda não são tão agradáveis à leitura como o papel. E os programas de TV não estão disponibilizados na internet em horários convenientes ao usuário.

Por outro lado, outras previsões, como o acesso a vídeos formatados em multimídia, a oferta de filmes na internet e as novas competências necessárias aos profissionais de mídia, atestam que nem todas as afirmações do artigo foram meras fantasias do autor.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Fim das mídias convencionais

Jakob Nielsen's Alertbox for August 23, 1998:

The End of Legacy Media (Newspapers, Magazines, Books, TV Networks)

Most current media formats will die and be replaced with an integrated Web medium in five to ten years.

Legacy media cannot survive because the current media landscape is an artifact of the underlying hardware technology. Whenever the user experience is dictated by hardware limitations, it is a sure bet that something better will come along once these limitations are lifted.

Why are traditional media separate? Why do you have to chose between either seeing moving images of an event on TV reading the full story in the newspaper reading a reflective analysis of the underlying issues in a magazine Why not all three in a single medium? And why not link the coverage to archival information from an encyclopedia, an atlas, biographies of the people involved, historical novels that bring the relevant countries' past to life, and many more books?

The answer is obvious: You can't screen a film clip in print, you can't broadcast a long article on television, the newspaper presses don't wait for weeks' worth of research for the reflective story, and it would be too expensive to send magazine subscribers a small library of books just in case they wanted deeper background information.

In other words, current hardware prevents true media integration. Even so, there have been attempts: Newspapers often include a Sunday magazine and the better ones assign reporters to work for long periods of time to research and write extensive background articles that go far beyond yesterday's news. Sometimes books are rushed to print to cash in on public interest in a high-profile event.

Higher Bandwidth Allows Integrated MediaThe Internet has its own hardware limitations that limit integrated media services:

Limited bandwidth makes video impossible and reduces the amount of graphics, animation, and other non-text formats that can be used. Also, slow response times reduce the depth and richness of services since users do not follow hypertext links freely unless they get sub-second response times.
Low-resolution computer monitors make users read 25% more slowly from screens than from print, leading to a need for fewer words on the pages.
Poorly designed Web browsers and search engines reduce users' ability to navigate the Web and find the information and services they need. (This last item is a software issue, not a hardware issue, but from a content provider's perspective, all that really matters is that the infrastructure is still insufficient to build advanced Internet services.)

These problems will go away over the next 5-10 years. Users get 50% faster Internet bandwidth every year. In five years, high-end users will have the required sub-second response times to navigate the Web freely. In ten years, all users will have good bandwidth. Also, in ten years, it will be possible to stream good quality video across the Internet (current postage stamp videos are close to useless).

High-resolution monitors with 300 dpi graphics exist and have the same readability as paper. Monitors probably won't drop in price at the speed of Moore's Law, but I still predict that high-end users will have good screens in five years (maybe 200 dpi) and that all users will have good screens in ten years.
This means that around 2008, all computer users will prefer using the Web over reading printed pages. High-end users may make this switch around 2003. Once the Internet is as pleasant to use as old media, it will win if it provides services that take advantages of the interaction and integration offered by the new media.

Distributing high-quality video over the Internet does not mean that television networks will simply go online. There is no reason that Star Trek and the evening news should come over the same channel or from the same company. The only reason this is done now, is that both shows have to share the same broadcast frequency. It would be a much better solution to integrate video clips of news with text coverage of the same news and to link both to background analysis and educational resources.

Most of the video clips in these integrated services will be very brief since users want to retain control of the interaction and set the pace of their information consumption. Current CD-ROM encyclopedia are a good role model: even though they do have more bandwidth than the Web, CD-ROMs usually limit their video clips to 30 seconds. Much longer and users get bored and want to get back to interacting. Also, the videos have to be tied into the rest of the service and integrated with text, image databases, computer animations under user control, and much more. "Multimedia" means many data types, not simply getting linear television on a computer screen.

In addition to the short, integrated video clips, there will also be longer videos available over the Internet. Movies and one-hour productions will remain popular for fiction, because storytelling often works best in a linear format where the user abandons responsibility and simply absorbs the plot as envisioned by the author. Even these linear productions will be distributed over the Internet: why should a show start at 9:00 if you are ready for it at 8:50? Video-on-demand will require better user interfaces than currently known (people won't suffer through reading a manual to watch a game show), but we do have at least five years in which to invent these designs before the Internet is fast enough to replace television networks.

Even though integrated video has to wait for higher bandwidth, it is possible to integrate text-only (or text-plus-photos) publishing formats today. Services can integrate the spectrum from immediate news over background analysis to archival information. The Wall Street Journal's integration of company handbook information with the ability to retrieve old articles about the same companies results in an online service that is more valuable than either feature alone - and much more valuable than any single day's news.

Death of the Media, Not the People
Even though I predict the death of legacy media formats, I think that most of the people working in these media have a glorious future. There will continue to be a need for writers, editors, photographers, camerapeople, video producers, on-screen talent and actors, and many others. In fact, the demand for talented media specialists may grow if interactive content gets to play a more important role in people's everyday lives. I believe this may easily happen since interactive media are more engaging than passive ones.

Current media workers will need to modify their skills for the interactive age. For example, people read differently online, so writers need to change their writing style. Similarly, a photographer must learn to shoot in ways that allow users to interact with the photo (for example, click on objects to have them explained).
I am less optimistic about the future for current media companies than I am about the future prospects for their staff. In principle, media companies could leverage their current staff, skills, brand, financial resources, and audience relationships into the interactive age. In practice, many of them are tied into their traditional media format and not sufficiently willing to consider it expendable. How many newspaper publishers are willing to treat their print product as a cash cow that is planned to survive no more than ten years? How many fund their website to become an online service in its own right and not simply a set of repurposed print articles and newswires?
TESTE
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